Vou escrever aqui, no meu canto, secretamente. Não por medo de expor minha opinião, mas sim por saber que de um jeito ou de outro uns vão se meter de um jeito não necessário e até mesmo inútil.
Um colega de sala meu, amigo, conhecido há anos, resolveu expor sua opinião no facebook sobre o homosexualismo.
A visão dele é 100% baseada no ver bíblico, onde Deus 'condenaria' os gays por desrespeitarem as "normalidades" da bíblia. O texto começa exatamente dizendo 'eu sei que isso vai soar homofóbico' algo que a primeira vista me incomodou bastante. Disse também que o mundo nos manda ficar acostumados com esse grande crescimento homosexual, pois estamos vivendo uma época de grandes mudanças. Diz por fim que é um 'problema do homem' assim como muitos outros, e que estamos difamando a criação maravilhosa/santa de Deus, nós mesmos.
Muitos argumentaram agressivamente e massivamente para cima do menino, e eu tenho que concordar que ele não utilizou a melhor escolhas de palavras, e nem nenhuma referência (a não ser sua própria interpretação bíblica, e da igreja). Outros defenderam o ponto de vista dele de uma forma tão religiosa que me pareceu decorada, falsa e pesquisada no Google.
Vou dizer nesse texto MINHA OPINIÃO e EXPERIÊNCIA sobre esse assunto, e COM CERTEZA ela não será igual a sua, no mínimo será parecida
Eu nasci na Igreja Presbiteriana, que é razoavelmente similar com a Batista. Na minha religião nós não temos o tal livre arbítrio (e como gostaria que tivesse), na minha religião, e de muitos, Deus é que nos escolhe. Deus é o único que decide se merecemos ou não o céu. Você nasceu escolhido já, independentemente dos seus erros, pecados, bens materiais e eu gosto de acreditar que independentemente da sua escolha sexual também. Os escolhidos podem fazer escolhas de vida ruins, podem pecar constantemente mas mesmo assim irão pro céu. Porém, acredita-se que os escolhidos não tem toda essa tendência para pecar, Deus irá atraí-los para o certo. Com esse primeiro ponto o que eu concluo é que seu 'livre arbítrio' pode não ser o suficiente, e não tem total relação com todas as escolhas que você faz na vida.
Ao mesmo tempo, eu sei sim que a bíblia condena de certa forma os atos e práticas homosexuais. Você pode ver em I Coríntios 6:
9 " Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Nem impuros, nem idólatras, nem adultérios, nem
efeminados, nem sudomitas" ou em Levítico 18:
22 " Com um
homem não te deitarás como se fosse
mulher, é abominação", são dois exemplos claros do que a bíblia diz sobre o homosexualismo. Deus condena, mas não diz nada sobre desrespeito, ou anormalidade. Ser gay para a bíblia é tão "abominável" quanto trair sua namorada, quanto desejar a mulher de alguém, quanto ter relações antes do casamento.
No entanto, a bíblia nos manda amar e respeitar o próximo como a tí mesmo. Então vem uma duvida que eu tenho ainda (e ninguém soube resolvê-la de modo que eu concorde): Como eu vou AMAR alguém que DEUS abomina? Se eu sou imperfeito, falho e pecador como eu vou agir de forma tão plena para amar essas pessoas, sendo que DEUS, o PERFEITO, diz abominá-las?
Então me veio agora na mente, Deus exclui essas pessoas apenas do céu ou de seu coração também? Quem sou eu para amar quem Deus não ama, e ao mesmo tempo ordena que eu ame?
Ok, pode ter soado confuso, e você até pode tentar me explicar isso em alguma hora.
Na bíblia diz também, em I João 1, "Se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para nos pedoar". Ser gay, nesse caso seria pecado. Mas quem vai pedir perdão por isso? Quem vai pedir perdão por AMAR outra pessoa (mesmo que do mesmo sexo)? Eu não peço perdão por namorar o menino que eu namoro, mesmo que ele não seja o escolhido de Deus para mim, por que eu o amo. Foi escolha minha amá-lo.
Vamos sair da bíblia agora. Nem todo mundo é cristão, nem eu sou 100%.
Alguns anos atrás eu disse pro meu pai que eu queria ter um amigo gay, por que seria o máximo falar com um garoto sobre outros garotos (desculpa estereotipar) e ter um amigo para fazer compras. Meu pai foi logo falando, em todo seu jeito careta/ortodoxo de ser que não era pra eu ter amigos gays. Que se tivesse algum na minha escola era para eu me afastar OU tentar convencê-lo de que sua escolha sexual era errada e que ele deveria ir para igreja em busca de 'conserto'. Eu me espantei, eu jamais diria a uma pessoa que o jeito que ela É está errado, quem sou eu para julgar? (Aí você vem e me diz que é Deus que está julgando essas pessoas, ok, não tenho nada a ver com a relação dessa pessoa com Deus. ) Eu teria o amigo que eu quisesse, por que afinal, as amizades eu posso escolher, por que tem pessoas que precisam de nós, e gente que vale a pena, hétero ou não.
Uma das minhas melhores amigas é Pan-Sexual. Isso não é APENAS ser gay, é ser TUDO. Nossas primeiras conversas sobre esse assunto foram constrangedoras, não por que eu me constrangia, mas por que eu não sabia o quanto eu podia perguntar. Nunca vou me esquecer quando perguntei: você gosta de homens E mulheres, ou SÓ, mulheres? E como resposta recebi um maravilhoso (de verdade, podia ter aplaudido) "Eu gosto de pessoas, não gêneros.".
Ouvir isso me deixou parecendo homofóbica, coisa que eu definitivamente não sou. E me fez pensar, por que não podemos ser assim? Por que não podemos amar PESSOAS, independentemente das escolhas, ou do jeito que nasceram? Por que não podemos valorizar o ser humano pelo que ele é?
O ser humano é uma criatura única, capaz de muitas coisas, capaz de pensar e desenvolver máquinas, capaz de entender o certo, o errado, e o meio. O ser humano pode nadar que nem um peixe, ou voar como um pássaro, não por ter nascido assim, mas por ter conseguido desenvolver algo magnifico a partir do nada.
Pra quê se incomodar?
Um dos caras que 'salvou' a segunda guerra era homosexual. Para você ver que isso não é algo atual, sempre existiu, esteve escondido. Antes éramos pequenos, não parecia algo 'estranho' para nós, era tão estranho quanto casais de homens e mulheres. Agora que estamos grandes que notamos.
Eu amo minha melhor amiga PAN, tanto quanto eu amo minha amiga hétero (até mais), amo ela como parte da minha família, e apoio ela como se fosse minha irmã. Isso vai muito além do respeito.
Se sua mente religiosa não permite você estar lá para as pessoas que precisam de você, não permite você 'adotar' uma pessoa como sua família, não permite você tratá-la do mesmo jeito, tem algo errado com seus princípios. SEUS princípios. Não da sua religião. A Bíblia tá lá, dizendo o certo e o errado, o abominável ou não, mas é você que pode interpretá-la de uma maneira ortodoxa, ou de uma maneira atual. O fato da pessoa ser 'abominada' por Deus (o que eu acho difícil de acreditar que seja) não te torna pecador se você aceitá-la.
Não é o mundo mandando você se conformar com isso e sim aprender a conviver de outra forma. Amor é amor, em todos os sentidos, sexos, cores... Se duas mulheres se amam, quem sou eu para impedir o amor? Se dois gays podem estar juntos, quem sou eu para dizer que não? E quem é você?
Eu apoio qualquer forma de amor. E se não é amor? Bem... aí já é outra história.
Isso é o que eu acredito.