Todo mundo já teve seu grupinho na escola.
Aqueles mesmos amigos formando uma potência, uma irmandade,
uma aliança meio que sagrada. Ninguém entrava ou saia de grupinhos que não
fosse o seu, isso seria traição.
Você, suas amigas, seu grupo, as nossas regras. Ninguém que
não fosse digno entraria em nosso meio.
Você pode dizer que isso é coisa de criança, desculpa, mas éramos
crianças mesmo.
Com toda essa coisa de grupos cria-se uma rivalidade. Você
se torna inimiga de outros grupos e também começa a odiá-los. Uma troca de mal
olhares e fofocas maldosas, não precisava de muito para acabar com a vida de
alguém, ou ter a sua própria arruinada.
Então essa fase passa, nós crescemos. Entendemos que é
normal seus amigos se relacionarem com outros amigos, ninguém merece aguentar
as mesmas pessoas todo dia, e se forem amigos de verdade sempre estarão a sua
volta.
Amigo de verdade, isso foi complicado pra mim. Na fase de
grupinhos algumas meninas ficavam ao meu lado. Eu causava um “medo” o que fazia
os outros terem um respeito por nós. E então quando os grupos acabam elas não
sentiram mais a necessidade de se proteger atrás da minha confiança. O número
de pessoas ao meu lado diminuiu, e só restaram algumas. Serão essas minhas
amigas de verdade?
Com o fim dos grupos é de se esperar que não se tenha mais
inimigos. Mas algumas pessoas não crescem. Vivem sempre achando que ainda há
uma rivalidade, achando que a qualquer momento vamos destruí-las. E não é mais
assim.
Ainda sou odiada por um grupo de meninas. Penso que elas não
gostam de mim por quem eu era à 5 anos atrás, mas eu mudei e elas não me deram
uma chance de provar isso. Talvez elas ainda me considerem um tipo de ameaça, e
eu não tenho mais essa intenção, não tenho nada contra elas.
E ser odiada pelos seus erros passados, por sem quem é ou
era, machuca. Você não faz nada, tenta concertar e mesmo assim elas te odeiam,
não te dão nem uma chance.
Eu poderia odiá-las novamente só pelo jeito que me tratam,
mas não funciona assim comigo.
Eu me importo com elas. Se um dia precisarem de ajuda eu vou
estar ali pra ajudar, independentemente do que elas pensavam sobre mim. Eu
cresci, e se elas ainda não o máximo que posso fazer é esperar.
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