23 de jun. de 2015

A culpada



Hoje eu surtei na aula. Por um motivo bobo, aparentemente. Quem via devia achar que eu estava sendo dramática, e sim eu também teria me julgado dramática... Mas fato é que só eu sabia o que estava se passando na minha cabeça, eu entendia que aquele não era o motivo de todo o drama mas sim tudo que estava acumulado dentro de mim.
Todo o stress, todas as sobrecargas, toda infelicidade, toda a vontade de ir em bora e nunca mais voltar.
Eu sempre tive essas coisas dentro de mim, mas desde pequena eu soube guardar pra mim, ficar quieta.
Ultimamente sinto que já estou cheia, não consigo mais guardar tantas coisas ruins dentro de mim, mesmo que ainda seja necessário.
Eu tento culpar as coisas e as pessoas. Tento fazê-las o motivo da minha infelicidade, tento culpá-las por sempre me olharem com uma cara de decepção, de me fazerem sentir como uma decepção. Mas sabe? A culpa não é delas.
A culpa é completamente minha, desde a infância até agora. O jeito que sempre me fiz ser, todas as exigências, todo o perfeccionismo, todas as regras que eu criei. A culpa é minha de acreditar que eu podia fazer tudo sem ajuda, que eu poderia ser boa em qualquer coisa e que tudo dependia de mim.
Mas recentemente eu tenho falhado. Em tudo. Na escola, nas tarefas, em casa, com meus amigos... eu estou errando, uma, duas, três vezes...
Sinto que todos olham pra  mim com decepção, como se eu não tivesse mais jeito, como se eu já fosse um caso perdido. Mas eles não me veem assim, nem estão olhando pra mim.
Eu é que estou me sentindo uma decepção, eu que estou me olhando com julgamentos idiotas, julgamentos que eu mesma criei.
Demorei, mas entendi. É tudo a minha culpa.
Fico pensando que a menina confiante que existia à uns 2 anos atrás teria muito desgosto de olhar pra quem eu virei agora, ela odiaria olhar pra mim e falar "isso é o meu futuro".
Então, estou me culpando de ter feito tudo isso comigo, sim. Mas eu sei que de algum jeito, custe o que custar, eu mesma terei que mudar. Eu vou ter que me reerguer, me olhar no espelho e novamente acreditar que eu sou capaz. Capaz de qualquer coisa.

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